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PARA ENTENDER - RAPIDINHO

A Catalunha


ESPANHA - POR BRENO RAIGORODSKY - O conhecimento tem como limite todas as determinações históricas, que parecem se cruzar em algum ponto, em algum momento, por alguma razão.

E no vinho não é muito diferente. A história dos espumantes é contada como se, num passe de mágica, Don Perignon, em seus estudos para melhor realizar o vinho produzido sob seus cuidados, tivesse inventado um jeito de fazer das indesejáveis borbulhas um objeto de desejo, pois o que ele almejava, assim como seus pares, era ter um vinho tão consistente quanto os da vizinha Borgonha, visto que para lá da metade do século XVIII a região de Reims consolidou a sua vocação para os espumantes.

Nada menos verdadeiro.

Desde 1531 Blanquette de Limoux tem produção regulamentada, algo como 100 anos antes do mestre da Montagne de Champagne. Mas somente depois que a indústria inglesa do vidro produziu garrafas fortes suficientemente para segurar o tranco de várias atmosferas de pressão foi que o vinho pôde finalmente ser transportado e armazenado em todas as cortes. Até então, comprar este produto era fatalmente arriscado.

Fiquei sabendo no IV Tasting de Vinhos da Catalunha – uma reunião de alguns produtores e seus vinhos, a maioria à procura de um importador para chamar de seu – que a Cava tem uma bela história de origem, que tem a ver com as invasões napoleônicas (1823/7) e que foi alavancada em direção ao mercado mundial a partir da Filoxera (portanto nos anos seguintes ao de 1865).

A história começa com os franceses ensinando o método Champanha, do cultivo ao plantio, do plantio à vinificação, com tudo que se faz até hoje. Os franceses descobrem que as uvas autóctones – como a Macabeo, a Parellada e a Xarel-lo – substituem a sua nobre Chardonnay – enquanto que a Grenache e a Monastrell fazem o papel das Pinot Noir e Meunier na estrutura, na complexidade e na cor.

Impõem seu método de bi-fermentação em garrafa, numa época em que a técnica não apenas estava bem desenvolvida, como também havia produção de garrafas suficiente, particularmente nas indústrias inglesas, o que fazia com que a sua produção tivesse três cores: Inglesa (indústria de garrafas, que se desenvolve a partir do início do século XVIII), Francesa (técnicas de colheita e vinificação) e Catalã (uvas autóctones, solo e clima).

Em 1867, sob o nome Champanha de Réus, a Cava se apresenta na Exposição Universal de Paris daquele ano, e ganha notoriedade, mostrando seu potencial, que foi largamente utilizado como alternativa aos espumantes de Reims e redondezas, já infestados pela praga Phylloxera. Foram 20 anos necessários para que a praga fizesse a festa também na Catalunha, mas bastou para que se consolidasse a alternativa: estava implantado na mente dos negociantes e dos consumidores das cortes europeias um espumante de qualidade praticamente equivalente ao da aristocracia gaulesa.

Apenas depois da regulamentação internacional do nome Champagne, em 1972, que se consolida o nome Cava, emprestado do vilarejo da província de Lerida, com 1,4 habitantes por km2, o que significava – em 2004 – 58 habitantes.


Breno Raigorodsky (de São Paulo) é bacharel em filosofia, publicitário, juiz internacional de vinho e winecoach (www.winecoachbr.com)


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PUBLICAÇÃO DE 14 DE JUNHO DE 2018


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