NOTÍCIA


Crédito: Walter Tommasi

Veuve Clicquot Brut

PARA ENTENDER - RAPIDINHO

Degustar às cegas ou não?


BRASIL - POR WALTER TOMMASI - Este título é curto, mas é carregado de polêmicas e discussões. De um lado existem os defensores da valorização dos rótulos tomados, preferindo o conhecimento dos mesmos antes de tomá-los, e com isto maximizando o reconhecimento de suas principais características, de outro lado os que defendem a comparação dos vinhos sem conhecimento do rótulo, o que permite que o melhor vinho se expresse sem interferência da marca. Quem está certo e quem está errado?

Para mim depende da ocasião e do por que estamos bebendo. Senão, vejamos: se a ocasião é um jantar com amigos, em que cada um leva um vinho mais raro ou que o consumidor aprecia, não faz muito sentido ficar fazendo comparações técnicas, afinal vale mais a curtir o momento sem preocupações com tecnicalidades. Mas quando você faz parte de um grupo ou confraria na qual se define um tema onde todos deverão trazer vinhos da mesma espécie, aí sou de opinião ser mais propício e educativo não sabermos que rótulo estamos tomando, aceitando nossa escolha para aquele que melhor performou entre os participantes. Em minha experiência nas diversas confrarias que adotam este modelo posso dizer que temos tido muitas confirmações dos mais famosos serem os melhores, mas também muitas surpresas de vinhos menos conhecidos. Muito raramente temos unanimidade, mas quase sempre os vinhos escolhidos têm o voto da maioria dos participantes, o que valida os resultados, especialmente quando os teoricamente favoritos não são os ganhadores.

Como jornalista especializado em vinhos e responsável por organizar degustações para revista especializada em gastronomia, já tive muitas experiências curiosas. Normalmente solicito os vinhos para as importadoras e vinícolas com temas definidos, e as provas sempre contam com 8 a 10 profissionais do vinho, sendo as degustações realizadas às cegas. Em uma delas, há alguns anos, sob o tema Champagne, percebi que uma das importadoras não havia enviado o seu exemplar, e decidi ligar para o proprietário para confirmar se ele enviaria ou não. A resposta foi direta: vou mandar, sim, mas não enviarei meu Champagne favorito, pois ele não precisa de propaganda, e se ficar para trás na prova não vai pegar bem. Acho que isto diz tudo! Também tivemos outra situação muito interessante quando um vinho não tão conhecido ganhou uma degustação de Rioja Reserva, e o sucesso foi tão grande que acabou com os estoques do importador. Aliás em nossas degustações mensais é bastante comum termos boas surpresas com vinhos não tão conhecidos, tornando-se ótimas alternativas de compra para os leitores e degustadores.

Acho que ficou claro que profissionalmente prefiro degustações às cegas, mas vinho é prazer, logo, curta seu vinho da forma que achar melhor! Salute!


Walter Tommasi (de São Paulo) é consultor e palestrante de vinhos, e foi diretor da SBAV-SP


Mais...
ComentarTirar
Dúvida
Seguir
Por
E-Mail
Ver
Mais
Notícias
Ver
Produtos
e Livros

PUBLICAÇÃO DE 25 DE MAIO DE 2018


Ver mais notícias


Compartilhar

Tags  para entender, rapidinho, tommasi no vinho, brasil, br, brasil


Pesquisar no Vinho&Cia

Seguir o Vinho&Cia nas redes sociais

    

  © ConVisão | Desde 1991