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Crédito: Gaja

Angelo Gaja

PARA CONHECER - VINÍCOLAS

Gaja, vinhos que tocam a alma


ITÁLIA - POR GILVAN PASSOS - Gaja é o sobrenome de uma tradicional família de vinhateiros, de origem espanhola, que desde 1859, geração após geração, lavora o vinho na minúscula cidade de Barbaresco, construindo uma reputação inabalável entre críticos e consumidores de todo mundo. Barbaresco é uma pequena comuna da província de Cueno, região do Piemonte, Itália, com cerca de 7 mil km2 e uma população de 638 habitantes. A grande uva local é a Nebbiolo, varietal dos vinhos Barbaresco e do Barolo, vinho homônimo da cidade vizinha.

Em 1970, representando a 4ª geração a frente dos negócios da família Gaja, assumiu o comando da vinícola o seu maior empreendedor, bisneto do fundador Giovanni, Angelo Gaja, o homem que colocou a anônima cidade de Barbaresco no Mapa Mundi do Vinho, com seus icônicos Barbarescos. Numa época em que Barbaresco (o vinho) vivia à sombra do Barolo, considerado o rei dos vinhos e o vinho dos reis na Itália. Foi por meio do genial Angelo Gaja que o Barbaresco ganhou notoriedade mundial, se igualando, e, até superando o Barolo. Estudante de enologia em Alba, Piemonte, e da Universidade de enologia de Montpellier, na França, e dotado de uma grande visão de futuro, Angelo inovou com atitudes que chocaram seu pai e os produtores da época, usando barricas novas para a maturação dos vinhos e cultivando variedades francesas, condutas inusitadas demais até então. Em 1978, Angelo escandalizou os produtores locais, plantando mudas de Cabernet Sauvignon. Fala-se que seu pai ficou tão chateado que vivia resmungando: “Darmagi”, algo como “que vergonha” no dialeto local. Resultado: Darmagi se tornou o nome de seu incrível varietal de Cabernet Sauvignon.

Seus ousados experimentos não só projetaram o Barbaresco como trouxeram um novo ânimo ao Barolo, beneficiando ainda castas como a Barbera e outras variedades estrangeiras. Comenta-se que a visão aguçada para o futuro, Angelo herdara da sua avó Clotilde Rey, uma professora de escola primária. Clotilde teria sido sua grande incentivadora, e sugerido a compra de vinhedos em Barbaresco depois da II Guerra Mundial, quando as famílias migravam da zona rural, tomando como base os locais onde a neve derretia mais cedo, chamadas de “Sori” nome que viria a ser mais tarde um de seus grandes Barbarescos, Sorì Tildin, em sua homenagem.

Surgiu com Angelo Gaja também, o conceito de Barbaresco Single Vineyard criado com o vinhedo Sorì San Lorenzo, e depois Sorì Tildin e Costa Russi, e anos depois em Barolo onde produz o Conteisa e o Sperss. Nos anos 90 Angelo inicia um novo projeto na Toscana, nas denominações de Bolgheri e Montalcino, onde produz os rótulos Ca’ Marcanda e o Brunello di Montalcino Santa Restituta.


Minha Visita a Gaja

Em minha visita ao Castelo Gaja, em Barbaresco, fui gentilmente recebido pela Sra. Sara Cabrele, assistente do Sr. Angelo Gaja. Depois de um giro pelo castelo, imerso num diálogo em que aprendi que o respeito ao vinhedo como um organismo vivo e à memória ancestral da planta são a base dos valores Gaja, pude compreender o grande diferencial desse produtor. A Gaja maneja suas vinhas de forma natural, mas sem se rotular orgânica nem biodinâmica, dado que tem uma maneira toda própria de interagir com a natureza. Seu conceito de qualidade em relação à safra é tão respeitado na região, que não ser discreto neste quesito traria prejuízo econômico para os produtores locais, e quando num determinado ano as uvas não tem a qualidade exigida para a produção dos seus Barbarescos, elas são simplesmente vendidas.


Os Vinhos que Degustei na Gaja

Ainda em estado de êxtase, como um devoto agraciado por estar no templo, adentramos a sala de prova onde a Sra. Sara me serviu os seguintes vinhos: Altendi di Brassica 2015 (100% Sauvignon Blanc) maravilhoso; Barbaresco 2014 (elaborado com uvas procedentes de 14 vinhedos da família) sensacional; Barbaresco Sorì Tildin 2014 (seguramente o melhor vinho italiano que já tomei em toda minha vida), e por fim o Barolo Sperss 2013 (provocante, desafiador, intenso). Enfim, Gaja não é só vinho, é conceito, qualidade absoluta e luxo. A Ferrari dos vinhos.

Observação: todas as informações extraídas in loco, de material cedido pela própria Gaja e do Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Roero (órgão regulador e certificador dos vinhos da região).


Gilvan Passos (de Natal) é consultor e autor do livro Despertar para o Vinho


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PUBLICAÇÃO DE 30 DE ABRIL DE 2018


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