NOTÍCIA


Crédito: Pixabay

Observa-se o aumento da graduação alcoólica dos vinhos em geral

PARA ENTENDER - RAPIDINHO

O "Efeito Estufa" estufa os vinhos?


EXTERIOR - POR ÁLVARO CÉZAR GALVÃO - É mera especulação de ambientalistas, ou o "Efeito Estufa" estufa os vinhos? Há algum tempo venho observando e sentindo, principalmente, o aumento da graduação alcoólica dos vinhos em geral, sejam brancos, tintos ou rosados. O que tem me deixado atônito é que mesmo os vinhos do Velho Mundo, que se distinguiam dos vinhos do Novo Mundo, especialmente pelo conjunto de acidez maior e álcool menor, pois são essencialmente gastronômicos em sua origem, estão apresentando esta quantidade, a meu ver, exagerada de álcool.

Por que digo exagerada? Bem, sempre tivemos vinhos com alto teor de álcool, mas eram alguns poucos e bem típicos, no Velho Mundo, mas agora é muito comum vermos o que já víamos no Chile, Argentina, Austrália e África do Sul em profusão, vinhos com 14%, 14,5%, 14,8% e mais, mesmo em países e regiões que não tinham esta tradição.

Será que as leveduras selecionadas e específicas estão mais resistentes à alcoolicidade? Será que os enólogos estão seguindo uma tendência mundial de gosto globalizado? Será que as uvas estão supermaturando devido ao famoso "Efeito Estufa", que percebemos bem na antecipação das colheitas, ano após ano, por causa das temperaturas maiores fora de época?

Creio que possamos afirmar que um misto destas razões todas possam estar envolvidas, e não sou o primeiro a falar nisso. Lembro-me bem de que um amigo, enólogo do Vale dos Vinhedos, me disse há uns dois ou três anos que "se sente a capacidade do profissional competente justamente quando a natureza não ajuda o homem na questão do clima". Então, devo supor que dentre as perguntas que levantei a que mais tem pesado seja mesmo o gosto globalizado, procurando vinhos mais “doces”, em razão da fruta e do álcool.

Para se ter uma ideia do verdadeiro bombardeio de vinhos alcoólicos colocados no mercado, é só observar os catálogos, tanto das importadoras, como das lojas e vinícolas, tão presentes em nossas caixas de correio. Impressiona-me a tal quantidade de vinhos do Velho Mundo que estão acima dos comportados 13% de álcool, sem falar nos do Novo Mundo, e isso também vale para os brancos, que hoje passam longe dos antigos 12% ou 12,5%, para resvalar na borda dos 13,5%, 13,8% e acima dos 14% também.

Para a enogastronomia, fica mais complicado harmonizar estes vinhos com graduação maior de álcool, a não ser com as mesmas cocções de sempre, ricas em molhos gordurosos e suculências, pois é difícil manter o equilíbrio de acidez e taninos bem estruturados, no caso dos tintos e brancos (sem os taninos).

Como é bom degustarmos um vinho com seus 12,5% bem equilibrados, pedindo comida! Que saudade! Até o próximo brinde!


Álvaro Cézar Galvão (de São Paulo), o engenheiro que virou vinho, é autor do site Divino Guia


Mais...
ComentarTirar
Dúvida
Seguir
Por
E-Mail
Ver
Mais
Notícias
Ver
Produtos
e Livros

PUBLICAÇÃO DE 27 DE ABRIL DE 2018


Ver mais notícias


Compartilhar

Tags  para entender, rapidinho, divino guia, exterior, ex, exterior


Pesquisar no Vinho&Cia

Seguir o Vinho&Cia nas redes sociais

    

  © ConVisão | Desde 1991