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Crédito: Breno Raigorodsky

Puro Quinta da Touriga Douro J. Rosas 2015

O QUE BEBER - QUE VALE A PENA

O maior inimigo do bom é o ótimo?


PORTUGAL - POR BRENO RAIGORODSKY - Na feira de vinhos do Douro e do Porto que ocorreu há pouco em São Paulo, o que mais me chamou atenção foi o segundo vinho da Quinta da Touriga, do J. Rosas, do Alto Douro, de um lugar bonito de espantar, a Foz do Côa, de onde vêm os vinhos da Quinta da Mieira e da Casa Álvares, e de onde peguei o meu primeiro Rabigato 100%. Tenho guardado pra mim algumas das melhores fotos que trouxe do mais lindo museu de inscrições rupestres que se pode imaginar.

Pra mim, o segundo vinho da casa, o Puro, que custa menos de 13 euros na Europa, que passa por 12 meses de madeira francesa majoritariamente de segundo uso, é bem melhor a meu gosto do que o Chã, que custa 37 euros, na mesma Europa, o
grande vinho, que passa 15 meses em madeira francesa preferencialmente de primeiro uso. Garrafeiras, o Puro vai mais de Touriga Nacional, passa dos 80% nesta safra degustada, enquanto que o Chã se deixa por quase 30% da mesma mistura.

Escrevo por conta do paradoxo de passagem de gosto – o Chã é puro passado, um vinho carregado de madeira, uma concentração que permite apenas reflexão, jamais harmonização. Eu sei, obviamente haverá gente defendendo, indignada, o rótulo mais caro, particularmente entre os críticos de vinho e aqueles que estão sempre prontos a reverenciar o vinho de excelência, o que de melhor a casa soube
oferecer, principalmente quando o vinho atinge mais de R$450,00, que é o que custa em solo brasileiro.

Mas, sem querer ofender, o Chã é over. Entendo que mostra o potencial de concentração possível de se atingir na região.
Entendo também que cumpra o papel de experiência, mesmo com pouquíssimas garrafas a cada safra e que eventualmente se torne um vinho maravilhoso quando atingir seus 20 anos de idade.

Será que faltou-me entendimento de vinho para avaliar? Pode ser, mas para mim é over, principalmente quando se tem um vinho como o Puro 2014, que pode perfeitamente
ser considerado uma jóia rara, e pronta desde já.

Qual é o vinho que representa a casa afinal? Ambos, vão me
responder, mas não acho a questão secundária. O mundo precisa de vinhos que sejam tão bons quanto este, um vinho da qualidade dos melhores Golden Douros que tive oportunidade de provar!

Puro Quinta da Touriga 2014
87% Touriga Nacional, o resto Touriga Franca
Chã, Fóz do Côa, Douro Superior
Fermentação em pequenas cubas de inox
14,5% de álcool
PH 3,67
12 meses de barricas avinhadas de 225 l (Seguin Moureau e Taransaud)


Breno Raigorodsky (de São Paulo) é bacharel em filosofia, publicitário, juiz internacional de vinho e winecoach (www.winecoachbr.com)


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PUBLICAÇÃO DE 18 DE ABRIL DE 2018


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Tags  o que beber, que vale a pena, breno raigorodsky, portugal, , portugal


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