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Crédito: Pixabay

Os efeitos cardiovasculares do vinho se devem principalmente ao álcool, aos polifenóis e, sobretudo, à ação sinérgica deles.

PARA ENTENDER - RAPIDINHO

É verdade que vinho com menos álcool é melhor para a saúde?


BRASIL - POR DR. JAIRO MONSON DE SOUZA FILHO - No vinho existem cerca de 1.000 substâncias conhecidas. A maioria delas já foi sopesada
(analisada). De todos os componentes conhecidos existe apenas um em quantidade capaz de causar dano ao organismo – o álcool.

Os polifenóis são os principais responsáveis, mas não os únicos, pelas virtudes do vinho para a saúde humana. Considerando isso se supõe que vinhos com menos álcool e o
mesmo conteúdo de polifenóis seriam mais favoráveis para a nossa saúde. Isso é uma suposição. Suposição não é uma verdade, e em ciência se chama ‘hipótese’.

Pesquisadores da África do Sul tentaram fazer isso e publicaram seu estudo no South African Medical Journal. Esses cientistas usaram um vinho Cabernet Sauvignon da França. Reduziram o seu conteúdo de álcool de 12% para 6% usando a técnica de osmose reversa. Conseguiram obter um vinho com conteúdo alcoólico semelhante à cerveja, mas preservaram a quantidade de polifenóis. Eles então avaliaram a quantidade de antioxidantes e alguns efeitos cardiovasculares em camundongos de laboratório. Não encontraram diferenças
entre o vinho com mais e o com menos álcool. Com isso, algumas pessoas concluíram apressadamente que vinhos com baixos teores de álcool teriam os mesmos benefícios para a saúde com menor risco de se ter danos pelo álcool. Mas são necessárias algumas considerações sobre esse estudo e conclusões.

Os efeitos cardiovasculares do vinho se devem principalmente ao álcool, aos polifenóis e, sobretudo, à ação sinérgica deles. Alguns efeitos são exclusivos do álcool (Ex: aumento do colesterol HDL – o bom). Outros efeitos são privativos dos polifenóis (Ex.: aumento do óxido nítrico e todas as consequências favoráveis disso). Alguns são comuns aos dois
(Ex.: diminuição da resistência à insulina e ação sobre toda a cascata da coagulação). Estes últimos efeitos são mais intensos no vinho do que em outras bebidas alcoólicas e que no suco de uva, porque a presença de álcool mais polifenóis aumenta consideravelmente os efeitos comuns a esses dois componentes.

Nesse estudo os cientistas reduziram o teor alcoólico do vinho e não modificaram o de polifenóis. Mas avaliaram a ação dos polifenóis e não a do álcool! Os efeitos antioxidantes dos vinhos se devem fudamentalmente aos polifenóis. Do mesmo modo os efeitos avaliados sobre a circulação dos camundongos sabidamente devem-se aos polifenóis e não ao álcool! Os efeitos antioxidantes do álcool praticamente inexistem e as ações diretas sobre os vasos sanguíneos são desprezíveis frente aos polifenóis. Esse estudo avaliou desfechos que independem da quantidade de álcool.

A ação mais marcante do álcool é sobre o colesterol-HDL. Dados do Estudo de Framinghan nos mostram que essa relação é direta: quanto maior o consumo de álcool, maiores são os níveis do Colesterol HDL. E esse mesmo estudo evidencia que quanto maiores os níveis desse colesterol maior a proteção para doenças cardiovasculares, e quanto menores os
níveis dessa gordura saudável, maior o risco relativo de morte por causas cardiocirculatórias. Esse importante efeito do álcool não foi avaliado no estudo dos cientistas sul-africanos. Mas apesar disso os médicos, de uma maneira geral, são favoráveis a reduzir o conteúdo de álcool dos vinhos sem mexer nos demais componentes.

Isso deve diminuir os trágicos e indesejáveis efeitos nocivos do
álcool. Mas o consumidor, o que acha disso? Qual a real conveniência de reduzir o álcool do fermentado de uvas? Alguns enólogos avaliaram o vinho com teor alcoólico reduzido e foram unânimes em dizer que a bebida perdeu muito do ponto de vista organoléptico. Era menos prazerosa. A grande vantagem em diminuir o conteúdo alcoólico dessa bebida
é permitir um consumo seguro de maiores volumes.

O vinho é uma bebida para dar prazer. Para isso não são necessários grandes volumes. Baco nos ofereceu essa bebida dadivosa para valorizar uma comida, uma conversa, uma companhia, um bom momento... Não é para saciar a sede. Para isso a água é muito mais adequada. Não é para curar doenças. Para isso devemos seguir as orientações dos médicos, usar, se necessário, medicamentos, corrigir a dieta, fazer cirurgias, etc.
Tão pouco se deve beber vinho para prevenir doenças. Para isso se faz vacinas, atividades físicas regularmente, evita-se fumar e tem-se uma dieta saudável.

Mas é bem verdade que ingestas leves e moderadas de vinho junto com as refeições por quem não tenha contraindicação ao seu consumo não causa dano. Pelo contrário, agrega ao prazer de beber alguns benefícios para a saúde.


Dr. Jairo Monson de Souza Filho (de Garibaldi) é médico, escritor e autor do melhor livro do mundo na categoria pelo Gourmand Awards, o Vinho é Saúde!


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PUBLICAÇÃO DE 26 DE FEVEREIRO DE 2018


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