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Crédito: Gilvan Passos

Montalcino tem menos de 6 mil habitantes e a sua área de vinhedos é de apenas 3,5 mil hectares

PARA CONHECER - VINÍCOLAS

Conhecendo a região da denominação Brunello di Montalcino


ITÁLIA - POR GILVAN PASSOS - Montalcino não é a denominação vitivinícola mais antiga da Itália – esta proeza cabe a Chianti Classico –, mas é, de longe, o berço do vinho mais importante da Toscana, e um dos mais importantes do mundo: o Brunello di Montalcino.

A pequena cidade de apenas 5.946 habitantes dista 40km da província de Siena, a qual pertence, na Toscana, região central do país, e é Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 2004. A versão mais aceita para a origem do seu nome atesta que Montalcino deriva de Mons Ilcinus (Monte dei Lecci), relacionando-a à forte presença de azinheiras (ilex, ilicis, uma espécie de carvalho), conforme consta no brasão da cidade.

Epicentro de inúmeras disputas militares contra Siena e contra Firenze entre o século XII e XVI, a corajosa cidade era então considerada uma fortaleza invencível, protegida por grossos muros e um grande forte, e assim o foi até 1559, quando os montalcinesi entregaram as chaves da cidade aos representantes de Cosimo de Medici, rendendo-se como a última cidade livre da Itália.

Sua vocação para a produção de vinhos de qualidade remonta aos dois mil anos, como comprovam inúmeros achados arqueológicos da época etrusca. O seu grande vinho, o Brunello di Montalcino, surgiu somente no século XIX, quando alguns camponeses puseram-se a experimentar uvas de uma videira tradicionalmente cultivada naquela zona, conhecida como Brunello ou Brunellino, identificada em meados do século XIX como uma variedade (clone) da Sangiovese, reconhecida por sua forte capacidade de produzir vinhos com vocação para envelhecer. No entanto, este experimento só vingou de fato entre os anos de unificação da Itália, 1865 – 1869, quando a vinificação da Brunello em pureza, e com maturação em barris, alcançou os melhores resultados, tendo como patrono Clemente Santi, da famiglia Biondi Santi.

Em 1869 Clemente teve seu Brunello da safra de 1865 premiado com medalha de prata pelo Comizio Agrário di Montepulciano, e nos anos seguintes o Brunello obteve reconhecimento internacional, batendo alguns tintos franceses em Paris e Bordeaux. Mas nessa época o Brunello era um vinho para poucos, e somente na segunda metade de 1900 passou a símbolo nacional
Made in Italy.

Crédito: Gilvan Passos

Em 1966 o Brunello di Montalcino tornou-se um vinho DOC



Em 1966 o Brunello di Montalcino tornou-se um vinho DOC, e em 1967 foi criado o Consórzio Del Vino Brunello di Montalcino. Em 1980 o vinho ganha o status de DOCG, mas nesse mesmo ano foram produzidas apenas 63.583 garrafas. Em 1999 a importante revista americana Wine Spectator incluiu o Brunello entre os 12 melhores vinhos do século XX, e em 2006 coroou um Brunello na melhor classificação mundial.

O vinho nasce num campo onde o clima é moderado e a topografia segue orientações diversas, com elevações de 120 a 650m de altitude, em solos variados de terrenos soltos e micro-ambientes diferentes, que favorecem o cultivo da vinha, e onde o manejo é manual, produzindo vinhos que obrigatoriamente são envasados em garrafas do tipo Bordalesa.


Os Vinhos Que Montalcino Produz

A área geográfica de Montalcino é de 24.000 hectares, mas a superfície total de vinhedos da denominação é de apenas 3.500 hectares. Destes, 2.100 hectares pertencem à DOCG Brunello di Montalcino, seu principal vinho; 510ha à DOC Rosso di Montalcino, 50ha à DOC Moscadello di Montalcino, 480ha à DOC Sant’Antimo e 360ha estão destinados a outros vinhos não classificados.


Condições Para o Brunello di Montalcino

De acordo com o Consorzio Del Vino Brunello di Montalcino, seu órgão regulador, o Brunello é um vinho produzido com 100% de uva Sangiovese, designada de Brunello em Montalcino, com rendimento de 8 toneladas por hectare, produzidas dentro do município de Montalcino, com estágio mínimo obrigatório de 2 anos em cascos de carvalho, seguido de afinamento de 4 meses em garrafa, ou 6 meses para o Riserva.

O engarrafamento é obrigatoriamente na região produtora e a liberação para o mercado de consumo só pode acontecer em 1º de janeiro após o 5º ano da colheita, e 1º de janeiro após o 6º ano da colheita para o Riserva. Portanto as safras mais jovens do Brunello e Brunello Riserva que você encontrará no mercado são respectivamente 2012 e 2011.


Gilvan Passos (de Natal) é consultor e autor do livro Despertar para o Vinho


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PUBLICAÇÃO DE 14 DE DEZEMBRO DE 2017


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